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Pesca de Tucunaré Amazônia: Minha Jornada no Rio Itapará

Atualizado: 14 de jun.

Itapará Selvagem: Minha Jornada em Busca dos Tucunarés Gigantes da Amazônia

Janeiro de 2025, por José Roberto de Lazari

O Chamado da Amazônia

Existe um lugar na Amazônia onde a promessa de capturar um verdadeiro troféu mexe com qualquer pescador esportivo: o Rio Itapará. Desde o primeiro momento em que comecei a planejar essa viagem, meu coração acelerava com a ideia de enfrentar os gigantes Tucunarés em um cenário selvagem, bruto e ao mesmo tempo fascinante. Essa não seria apenas mais uma pescaria; seria uma imersão completa na natureza mais pura e desafiadora que já encarei.


Lindo Tucunaré Açu fisgado no Fly


Por Que o Itapará?

A decisão de explorar o Itapará não veio ao acaso. Quando se trata de lugares remotos como esse, a escolha da operação faz toda a diferença. Eu apostei na organização do Rubinho e Betinho, junto à Agência Pesca Aventura, embarcando no Amazon Prince. A seriedade e competência deles pesaram muito na decisão, porque em um ambiente tão isolado, qualquer deslize pode custar caro. Fiz minha lição de casa: pesquisei sobre a estrutura, a segurança e os detalhes logísticos, porque pescar na Amazônia exige não só espírito aventureiro, mas também responsabilidade.




A Jornada até o Coração da Selva

O caminho até o Itapará já é uma experiência à parte. De Manaus seguimos para um aeroclube e dali partimos de avião até o ponto de encontro com o barco-hotel. A última etapa foi navegando por cerca de 1h30 em lanchas rápidas até alcançar a operação.


Além da ansiedade pela pescaria, havia o desafio logístico: tudo limitado a 18 kg de bagagem. Cada item precisava ser pensado com estratégia. Eu optei por malas estanques, resistentes à chuva e poeira, para garantir que nada comprometesse a expedição.




Os Primeiros Arremessos – Testando as Moscas

O primeiro dia de pesca é sempre especial. Arremessar a primeira mosca naquele rio monumental trouxe um frio na barriga difícil de descrever. Levei comigo vários padrões de moscas muitas já consagradas nos quatro cantos do mundo. Todas foram atadas por mim, portanto, elas tem minha assinatura, minha visão de como vejo os atados, mesmo trabalhando com os Clássicos. Levei variações de padrões como o Bucktail Deceiver, Sardine Minnow, Shiner Minnow, Arakã Minnow, Aruá Brilhante, Color Tail Minnow, Gorduchita Açurá, Iced Head Minnow entre outras.


Algumas moscas como a Arakã Minnow foram concebidas para serem volumosas e com cauda longa, outras mais esguias.


Logo percebi que os peixes estavam seletivos, exigindo ajustes no tamanho e no trabalho das moscas. Os Tucunarés não queriam moscas grandes nem volumosas, portanto, rapidamente eu passei a usar moscas até 15 centímetros de comprimento e não vacilei em passar a tesoura nas moscas volumosas e compridas, ajustando-as para o que os peixes queriam.


As grandes explosões esperadas deram lugar a ataques mais sutis, o que só aumentou o desafio.




Equipamentos Utilizados

Nenhuma expedição para a Amazônia está completa sem equipamentos confiáveis e adaptados ao clima e aos desafios locais. Para essa aventura no Itapará, levei 4 combinações principais de Fly que cobriram todas as situações que imaginei enfrentar:


🎣 1) O Conjunto Principal (#8):O setup mais utilizado foi uma vara Repiso Rocket #8 (9 pés), que se mostrou versátil e robusta para a maior parte da pescaria, principalmente com Streamers. Combinei com uma carretilha Waterworks Liquid com 3 carretéis carregados com linhas: floating, sinking e intermediate. As linhas usadas foram Rio Warmwater Predator #8 (280 grains), projetadas especialmente para atuar em clima quente como o da Amazônia.


🎣 2) Backup de Confiança (#7): Para prevenir imprevistos, levei uma vara #7 (9 pés) da antiga marca Albright (que infelizmente não existe mais). Montei com uma carretilha do mesmo fabricante, usando dois carretéis: um com linha sinking e outro com floating. As linhas escolhidas foram da Cortland (Compact Sink Type 9 e Compact Intermediate) – ambas #7/8, 275 grains).


🎣 3) Peso pesado para Moscas e peixes Grandes: Para situações em que enfrentei grandes peixes ou usei moscas volumosas (especialmente de superfície), entrei com uma vara Repiso Big Game #9 (9 pés), equipada com uma carretilha Sage Spectrum LT #9/10 – perfeita para lidar com grandes streamers e os monstros do rio.


🎣 4) Para os Pequenos Guerreiros (#6): Também levei uma vara Orvis Recon #6 (9,6 pés) para aproveitar as oportunidades com cardumes de pequenos Tucunarés (até 40 cm). A linha escolhida foi uma Rio Dog Days Floating #6, que oferece o desempenho da famosa Rio Gold, mas ajustada para climas quentes.


🧵 Leader e Tippet – Minha Escolha Polêmica


Aqui entram as polêmicas técnicas 😄. Embora eu reconheça toda a física e eficiência dos líderes cônicos – que transferem energia de forma progressiva da linha de Fly até a Mosca – optei por uma solução mais simples para a maior parte da pescaria: Leader direto (bitola única) de fluorcarbono 40 lb, com comprimento igual ao da vara. À medida que trocava moscas, ele encurtava, mas sem comprometer os arremessos. No final do dia, fazia outro leader novo.


A vantagem? Nenhum nó intermediário, o que reduz pontos frágeis durante brigas intensas no meio das estruturas. A desvantagem, claro, é a menor eficiência na dissipação da energia.


Para a vara #6, montei um leader cônico tradicional (mistura de nylon e fluorcarbono), que ajudou muito na apresentação suave de moscas pequenas (entre 5 cm e 10 cm) – e funcionou perfeitamente.



Pesca de Tucunaré Amazônia – Técnicas e Estratégias

O Rio Itapará apresenta uma diversidade incrível de pontos de pesca: ressacas, lagoas naturais, margens de rio repletas de galhadas. Cada estrutura pedia uma leitura apurada e uma estratégia ajustada para a Pesca de Tucunaré na Amazônia. Os maiores Tucunarés estavam mais ativos nas margens, enquanto os canais das ressacas rendiam bons Pacas e Borboletas. Moscas menores, trabalhadas lentamente, mostraram-se mais eficazes, contrariando a lógica da agressividade típica do Tucunaré. Foi uma verdadeira aula prática sobre adaptação.


Altos e Baixos – Lições de uma Pescaria Amazônica

Como toda boa aventura, essa expedição teve seus altos e baixos. Momentos de pura emoção foram seguidos de situações frustrantes – especialmente quando botos oportunistas apareceram e levaram meus peixes no meio da briga. Por outro lado, esses episódios fazem parte da vivência real na Amazônia. Enfrentar esses desafios só reforça a conexão profunda com o ambiente. No vídeo da expedição você vai ver algumas dessas cenas de como a vida selvagem funciona.


Os Parceiros e Guias – Trabalho em Equipe

Pescar em dupla sempre requer sintonia, especialmente quando um parceiro usa Bait e outro está no Fly. Tive a sorte de dividir o barco com pescadores que respeitavam meu espaço e entendiam as particularidades do Fly Fishing. Fica aqui meu obrigado ao Eduardo e Marcelo que dividiram o barco comigo.


Uma coisa muito legal desses dias com meus parceiros foi nosso incrível entrosamento e respeito, pois na maior parte das vezes, eles pescavam de Bait. Sim, Fly e Bait no mesmo barco e não registramos um único incidente. Ter por perto pessoas como eles, além de ótimo clima, conversa inteligente e experiência incrível na Amazônia, encontrei pessoas boníssimas e atenciosas. Meu muito obrigado e espero poder partilhar uma próxima pescaria juntos.


Os guias, experientes e sempre atentos, também foram fundamentais. O rodízio entre eles trouxe dinâmicas diferentes e enriqueceu ainda mais a jornada. Uma conversa franca logo no início, deixando claras as expectativas, foi essencial para o sucesso dessa convivência.




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Os Troféus e Surpresas

Saí do Itapará sem um troféu acima de 80 cm, mas com registros de belos exemplares: Açús acima de 75 cm, vários entre 45 e 60 cm e muitos peixes menores que garantiram diversão constante.


Além dos Tucunarés, fisguei Apaiarís, Jacundás, Bicudas e, para minha surpresa, uma Pirarara – um peixe imponente que não é o alvo típico do Fly, mas que não resistiu ao trabalho preciso da minha mosca com rabo vermelho nadando bem na frente dela. Um presente inesperado que coroou ainda mais a experiência.




O Encanto e a Realidade da Amazônia

A Amazônia é imponente e frágil ao mesmo tempo. Durante a expedição, ficou evidente o impacto das secas severas e seus reflexos na pesca e na vida selvagem. Mesmo assim, a grandiosidade desse bioma não deixa de impressionar. Estar ali, inserido naquele cenário, reforça o quanto somos pequenos diante da força da natureza – e como é importante praticar uma pesca responsável e consciente.


Por Que Vale a Pena?

Voltei para casa com a certeza de que o Rio Itapará oferece muito mais do que peixes. A expedição foi uma verdadeira imersão de aprendizado, desafios, beleza e conexão profunda com a natureza. Recomendo essa experiência a qualquer pescador que busca algo além das capturas – porque no final, é a jornada que realmente fica marcada para sempre.


Quer ver essa aventura ganhando vida?

Assista ao vídeo completo da minha expedição no Rio Itapará e veja de perto os Tucunarés gigantes, os desafios da pescaria e toda a beleza selvagem da Amazônia. É o complemento perfeito para este artigo!


Minha aventura no Rio Itapará

 
 
 

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